quarta-feira, 9 de março de 2016

Que ninguém me ouça?

Ontem fui conferir o lançamento do livro "Que ninguém nos ouça", de Leila Ferreira e Cris Guerra. Admiro Leila há anos, quando assistia ao seu "Leila Entrevista" na televisão, nos tempos idos em que eu ainda via TV aberta ( e adorava o fato dela manter, na ocasião, os cabelos cacheados como os meus). Nos últimos anos, tenho conferido o lado escritora de Leila através de três livros que ela publicou, e, juntamente com milhares de outras mulheres, me identificado com suas dores, vivências e persistência em priorizar a delicadeza e desenhar sorrisos. No ano passado, eu fui a uma palestra de Leila sobre seu livro "Viver não dói", e ao pegar seu autógrafo, tive o prazer de trocar algumas preciosas frases com ela, que em sua generosidade no trato, teve paciência em anotar para mim a indicação de um livro ligado ao minimalismo, mencionar que esse livro lançado ontem já estava em processo de criação com Cris Guerra e ainda  demonstrou-me profunda gratidão quando mencionei que usava os livros delas como uma espécie de biblioterapia, indicando-os a alguns pacientes. Depois desse encontro,  minha paixão por Leila transformou-se em amor eterno.

Ontem, no lançamento, Cris e Leila, cujo livro  trata de emails trocados por ambas nos últimos quatro meses, deixaram nitidamente claro em seus discursos que essa parceria era bem temperada ao equilibrar o aguçado senso de humor de Cris  com a sensibilidade madura de Leila. Eu já tinha lido o livro "Moda Intuitiva" de Cris, e sabia de seu Blog Para Francisco (aqui ela escrevia sobre o pai do seu filho, morto quando Cris estava no sétimo mês de gestação. O conteúdo do blog ocasionou a publicação de um livro de mesmo nome), mas só ontem pude ouvir Cris pela primeira vez e ao vivo, e apreciei sua espontaneidade. Ainda não li o livro lançado ontem, claro, mas pelos trechos lidos pelas duas, dá para perceber que o tom confessional usado por elas chega a ser tocante.

Muito apreciei a ideia do livro ser sobre esses emails trocados.  Nos anos de 1980, construi preciosas amizades através das missivas, e nos últimos anos mantive muitas outras amizades através de emails, sobretudo com minha amiga-irmã Andréa.  Também foi uma troca de emails totalmente platônica com um homem culto e poeta que me ajudou num momento decisivo de minha história pessoal, há cerca de uma década atrás. Se esses emails fossem publicados, retratariam muita poesia, cultura, sensibilidade, lágrimas, resiliência, criatividade literária, humor... Ainda hoje, livros que retratam troca de cartas estão entre os meus preferidos para leitura (o primeiro livro que li com esse enfoque foi "Papai Pernilongo", no alto dos meus doze anos de idade, e agora me deu uma vontade louca de relê-lo). E o filme "Nunca te vi, sempre te amei", que trata justamente de uma amizade alimentada por correspondências, continua com um lugar cativo no meu coração.

Leila referiu ao livro "Que ninguém nos ouça" como uma "ode à amizade". Estive no lançamento acompanhada de duas amigas queridas, e essa fala de Leila me fez focar nas pessoas que ali me acompanhavam e lembrar-me de outras preciosas amizades, e mais uma vez me certifiquei que a troca de palavras com meus amigos, seja na forma oral ou escrita, é essencial para minha sanidade e crescimento pessoal. Que esse post seja, também e então,  um agradecimento a essas amizades.


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