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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Amor e Neruda




Minha primeira hóspede oficial me presenteou com o livro "Cartas de Amor", de Pablo Neruda. Não poderia haver um presente mais do meu jeito: que trata de cartas e de amor pelo meu poeta preferido. Além dos textos, o livro vem com fotos das cartas, o que o torna mais especial ainda.

Confiram um trecho: "Hay algo más importante que tu y yo, somos tu y yo. Juntos somos lo que la pobre gente no alcanza jamás, el cielo en la tierra. Te aprieto a mi corazón, amor mio, con cuerpo, alma y amor".

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ao Chile, com carinho


Meu querido Chile tem ocupado meus pensamentos e, certamente, o de vocês também, com o terremoto de ontem. Aos meus amigos daqui e lá do Chile, um pouco das palavras cálidas de Neruda para nos lembrar que nem só de tragédias é feita a vida:


"Aqui eu te amo.

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.

Fosforece a lua sobre as águas errantes.

Andam dias iguais a perseguir-se. Descinge-se a névoa em dançantes figuras.

Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.

As vezes uma vela.

Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.

Só.

As vezes amanheço, e minha alma está úmida.S

oa, ressoa o mar distante.

Isto é um porto.

Aqui eu te amo".
Foto tirada por mim em Santiago do Chile em junho de 2008.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Neruda e as palavras


"... Sim senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como agatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo..."

(trecho de Confesso que Vivi)