
Faltando uma semana para mais um aniversário, ponho-me a pensar sobre o que vida tem me ofertado e com o que tenho feito com essas ofertas. E, sobretudo, tenho pensando que ser uma mulher balzaquiana me coloca em uma zona de conforto nunca antes experimentado! Uma amiga querida concorda comigo: estar na década dos 30 anos nos traz aquisições que, se assimiladas e bem vividas, nos permite despreender de um monte de neuroses e pesos acumulados na juventude, e desfrutar melhor as delícias(tão mais intensas)e as dores (já tão mais pontuais) de se ser o que é.
Aceito o que o espelho me mostra e o tempo (muitas vezes, só ele...) me traz. Sei exatamente o que quero, mas isso não me impede de mudar de opnião se o inesperado se mostrar melhor do que o planejado. Ainda sinto borboletas no estômago, mas não saio voando com elas: os pés nos chãos tornam mais real o fantasiado, mesmo que adaptado. Consigo despir-me não só de roupas, mas também de idéias, se essas não são mais necessárias. Continuo romântica, no sentido de querer mais delicadeza no dia a dia e uma beleza meio barrroca no cotidiano, mas não espero do outro a minha alegria e dou adeus rapidamente à relações que não irão me fazer crescer e não vêm para somar. Ainda me surpreendo, para o bem (e algumas vezes ainda para o mal) com os outros, porque não desisti da confiança no humano e nem me desabilitei de descobrir no outro um pouco além do que ele me mostra. Tenho nos cálculos muitos mais amigos e afetos, do que inimigos e desafetos. Persito no perdão. Desconstruo certas culpas, zelando para não ter outras novas. Acumulo papéis como a maioria da mulheres ocidentais, mas agora sinto que o tempo reservado para cada um deles está na medida certa. Permito-me chutar o balde, se isso resultar numa lavagem na alma. Faço por mim o que gostaria que os outros me fizessem. Fico em êxtase quando o outro faz por mim o que faria para si mesmo! Posso ficar observando, por um tempo, o sentido da maré e só segui-lo se isso tiver realmente um significado para mim. Não é sempre fácil, mas é beeemmm mais fácil do que aos 20 e do que fora, antes, na adolescência...
E em dias como hoje, onde muitos detalhes domésticos dão um tom mais nebuloso ao dia, o humor tende a se alterar com o menor estímulo negativo, um pequeno problema parece tornar-se um desastre em meio aos olhos marejados de lágrimas e até as dádivas, de repente, parecem se tornar demais para o que consigo abraçar, interromper tudo, buscar um ombro amigo e/ou amado, um banho relaxante e o beijo do filho ajuda novamente a resgatar a calma, e seguir em frente...Sempre em frente... E que me venha a segunda metade da minha era balzaquiana, com mais acúmulos benéficos e aprendizados persistentes. O tempo, e eu mesma, me faz (faço) melhor!
................................................................................................................
A foto refere-se ao poster muito desejado e há alguns meses ganho num sorteio no blog
http://inspirational-homes.blogspot.com/ (o blog, sobre decoração, é maravilhoso e a Débora, sua mentora, é uma das pessoas mais gentis e adoráveis que o mundo virtual já me trouxe. E ela tem uma lojinha virtual que vende coisitas lindas, inclusive pôsteres como o fotografado aqui). Semana passada encomendei uma moldura para ele, que o deixou mais lindinho, pronto para decorar as paredes do meu novo lar, doce lar e me ajudar a lembrar, diariamente, como o sugerido nos tempos em que foi criado (pelos ingleses na ocasião da Segunda Grande Guerra), no quanto é importante manter a serenidade e não parar...