sábado, 21 de maio de 2016

A mulher no trem



 O primeiro trem que me acolheu foi a Maria Fumaça, em São João Del Rei, onde morei por quatro anos na minha adolescência. Muitos anos depois, fiz o percurso Belo Horizonte-Vitória de trem, como legítima mineira em busca das praias capixabas. E, recentemente, descobri os trens europeus e decididamente sou apaixonada por esse meio de transporte e pelo o que vislumbro pela sua janela. Aqui eis algumas fotos da  minha viagem por trem de Berlim a Praga. Perdoem-me as fotos um tanto quanto desfocadas, mas elas retratam a fugacidade das imagens que desfilavam pelo meu olhar naquele percurso. Deixo também um poema, feito por mim dentro de um trem, em janeiro, quase chegando a Veneza. Trens me inspiram.

Vitrine

Hoje vi o dia
Amanhecer
Pela janela do trem:
Os Alpes se descortinando
Sob a névoa
Vinículas adormecidas
Campanários imponentes
Ruínas ainda com alma.
Parados, nas estações,
A freira com o terço na mão
O rapaz ansiando
Pelo beijo de reencontro
O pai com o filho pequeno
O charmoso com olhar perdido.
E eu, no trem,
Lembrei de toda a bagagem que fui me desfazendo ao longo do percurso.
Tal qual João e Maria
Fui deixando uma trilha de pistas:
Você me seguirá através delas?
Estou mais leve
Mas ainda assim carrego
Nostalgia e expectativas.
Não ficarei parada na vida.









sábado, 14 de maio de 2016

Uma sobrevivente em Berlim


 Uma igreja deixada tal como foi marcada pela Segunda Grande Guerra Mundial. Bombardeada, não foi reconstruída e serve hoje como um verdadeiro testemunho dos horrores e dores de um período tenebroso da nossa história. Ao lado, uma nova e moderna igreja foi construída, deixado a antiga e semi-destruída para a visitação. Em homenagem a Débora, do Inspirational Homes, que comentou sobre sua curiosidade acerca dessa igreja, deixo aqui as fotos que fiz de Gedächtniskirche.














sábado, 7 de maio de 2016

Berlim

 Berlim, com suas belezas e cicatrizes, ambas explícitas. Fui em busca de história e a encontrei na Topografia do Terror, no Checkpoint Charlie, no novíssimo Spy Museu (meu filho quase se mudou para esse museu...rs), visitando a cúpula do parlamento alemão, nas sobras do Muro, no Portão de BrandemBurgo, na bombardeada e não restaurada igreja Gedanchtniskirche... Também fui em busca de caminhadas tranquilas pelo Tiergarten e por músicas, das melhores, na Filarmônica de Berlim e na Casa das Culturas do Mundo, onde assisti ao singular Victor Gama. Encontrei o novo e o antigo, o moderno e o pitoresco, o doloroso e o contente.



























sábado, 30 de abril de 2016

Belém do Pará

 No último feriadão me dispus a conhecer um Brasil mais peculiar, alguns diriam exótico, e rumei a Belém. Fui ao Mangal da Garças (e almocei no Manjar da Garças, que fica dentro desse parque, onde pude provar muitas iguarias paraenses),  Teatro da Paz, Forte do Presépio, Catedral da Sé, Docas,  admirei o por do sol no Rio Guamá e provei sorvetes sublimes na Cairu...Porém, o local onde mais me diverti, fui mais de uma vez  e  que realmente inspirou minha viagem à capital do Pará foi o mercado Ver-o-Peso. Descobri frutas que nunca vi na vida e que nem sei pronunciar os nomes, trouxe alguns cheiros fantásticos nas malas, aprendi sobre sabonetes e pomadas poderosas e ouvi sobre milagres obtidos com o uso de garrafadas. Adorei conversar com locais e apreender detalhes dos cotidianos, como o taxista que toda segunda vai à feira comprar o peixe Filhote para que a esposa o prepare ao forno, pois segunda é a folga do taxista, ou seja, seu domingo, e merece um almoço especial; a senhora que conta com naturalidade sobre o resgate da jiboia do forro do teto de um dos quartos de seu sítio; a moça da barraca do mercado que me explica com detalhes (que não posso repetir aqui sem soar vulgar..rsrs) os efeitos do uso do óleo de bôta... O difícil para mim foi suportar o calor opressivo e úmido, apesar de todos por lá me confirmarem que fui numa época "fresca".