domingo, 17 de abril de 2016

Amsterdã

 O que me fez desejar muito conhecer Amsterdã foi um livro. Não, não foi o livro "A Culpa é das Estrelas", e sim "O Diário de Anne Frank", que reli há cerca de três anos (o tinha lido na adolescência) e que passei para meu filho ler também. Quando meu filho terminou sua leitura, anunciou-me que queria ir a casa onde Anne se escondeu durante a Segunda Grande Guerra Mundial, e foi aí que me dei conta que esse era um desejo meu também, adormecido desde minha primeira leitura do livro, quando eu tinha uns doze anos de idade.

Amsterdã nos acolheu cinzenta em nossos quatro dias por lá e por várias vezes quase fui atropelada por bicicletas ou motos, como a turista embevecida que transitava por suas ruas. Sim, Amsterdã se mostra em seus canais, museus, casa de Anne Frank  (chorei muito ao visitá-la... Num momento da visita, toquei a torneira da cozinha de lá e imaginei Anne fazendo o mesmo décadas antes, e foi como se conectássemos nesse gesto), Red Light District, Coffeeshops, Mercado de Flores, stroopwafel (trouxe um estoque para casa), gouda e fritas, Vondelpark (a poucos metros do meu hotel, o que nos permitiu visitá-lo várias vezes), Jodaan, praça Dam... e em vários outros atrativos turísticos que pude conhecer por lá. Entretanto,o que mais me marcou foi justamente o que me levou até lá: livro.Na verdade, vários deles, organizados em estantes que eu vislumbrava pelas cortinas entreabertas de várias janelas  voltadas para canais.Uma cidade com tantas bibliotecas domésticas é um lugar que me faz desejar revisitar...



















terça-feira, 12 de abril de 2016

Suiça a la italiana

Hospedar próximo a uma estação de trem na Europa é uma oportunidade e tanto para novas descobertas. Numa manhã de inverno em Milão, após nos certificarmos que não teríamos neve naquele dia, resolvemos atender ao nosso desejo matutino de conhecer a Suíça. Caminhamos até a estação e compramos nas máquinas de auto-atendimento bilhetes de ida e volta para Lugano, cidade Suíça que tem o italiano como idioma.Cerca de uma hora e meia de trem depois, numa ferrovia que passa pelo lago de Como, desembarcamos na estação de trem de Lugano. A estação fica numa parte elevada da cidade e  de lá caminhamos até o centro da cidade, que fica à margem de um lago. A cidade é como um paisagem suíça deve ser:  limpa, organizada, bonita... e cara. Passamos o dia na cidade e no fim de tarde retornamos a Milão (em tempo: há controle de passaportes dentro do trem na fronteira entre Itália e Suíça, controle mais acirrado dos que conheci nos aeroportos europeus).




















sábado, 26 de março de 2016

Novas energias

Ainda não estou como costumo ser, mas estou melhorando. Hoje é dia de receber sobrinhos para dormirem aqui em casa: há alguns anos o coelhinho da Páscoa sempre passa por aqui e esconde alguns chocolates, não sem antes deixar uma bagunça de pegadas pelo meu apartamento. Assim que passa o Natal, meus sobrinhos já perguntam se não vou viajar no feriado da Semana Santa, para que eles possam dormir aqui (na cabeça dos meus sobrinhos, o tal coelhinho bagunceiro só conhece o meu endereço). Fiquei com receio de não melhorar o suficiente para recebê-los, mas já não sinto tanto "cansaço" e pelo jeito as dores nas juntas vão durar por cerca de um mês, então não posso me render a elas.

Essa foto acima eu tirei em Amsterdã, no espaço aberto próximo ao museu Van Gogh. Encantei-me com as crianças brincando com as bolas de sabão gigantes.Gosto da energia que as crianças geralmente têm.E é dessa energia que pretendo usufruir hoje à noite brincando com meus sobrinhos. Não é só medicamento (químico) que nos cura.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Debilitada

Comecei a sentir um mal estar na última sexta-feira, o que agravou nessa segunda, quando passei o dia no hospital e saí com um diagnóstico de Zika Vírus. Desde então, acordo achando que vou melhorar, mas não melhoro, apesar  do repouso, muito líquido ingerido e a medicação para os sintomas. Sinto um cansaço físico e mental sem igual. Quero escrever, mas não tenho forças. Mal leio, porque os olhos também doem (devido o quadro dessa doença). Reza a lenda que os sintomas passam com sete dias, estou no sexto. Aguardemos.

A foto foi tirada em Viena, em janeiro. Felizmente não programei nenhuma viagem para esse feriado da Semana Santa, porque não teria forças para tal. O máximo de percurso percorrido por aqui é da cama para o sofá, e vice versa.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Que ninguém me ouça?

Ontem fui conferir o lançamento do livro "Que ninguém nos ouça", de Leila Ferreira e Cris Guerra. Admiro Leila há anos, quando assistia ao seu "Leila Entrevista" na televisão, nos tempos idos em que eu ainda via TV aberta ( e adorava o fato dela manter, na ocasião, os cabelos cacheados como os meus). Nos últimos anos, tenho conferido o lado escritora de Leila através de três livros que ela publicou, e, juntamente com milhares de outras mulheres, me identificado com suas dores, vivências e persistência em priorizar a delicadeza e desenhar sorrisos. No ano passado, eu fui a uma palestra de Leila sobre seu livro "Viver não dói", e ao pegar seu autógrafo, tive o prazer de trocar algumas preciosas frases com ela, que em sua generosidade no trato, teve paciência em anotar para mim a indicação de um livro ligado ao minimalismo, mencionar que esse livro lançado ontem já estava em processo de criação com Cris Guerra e ainda  demonstrou-me profunda gratidão quando mencionei que usava os livros delas como uma espécie de biblioterapia, indicando-os a alguns pacientes. Depois desse encontro,  minha paixão por Leila transformou-se em amor eterno.

Ontem, no lançamento, Cris e Leila, cujo livro  trata de emails trocados por ambas nos últimos quatro meses, deixaram nitidamente claro em seus discursos que essa parceria era bem temperada ao equilibrar o aguçado senso de humor de Cris  com a sensibilidade madura de Leila. Eu já tinha lido o livro "Moda Intuitiva" de Cris, e sabia de seu Blog Para Francisco (aqui ela escrevia sobre o pai do seu filho, morto quando Cris estava no sétimo mês de gestação. O conteúdo do blog ocasionou a publicação de um livro de mesmo nome), mas só ontem pude ouvir Cris pela primeira vez e ao vivo, e apreciei sua espontaneidade. Ainda não li o livro lançado ontem, claro, mas pelos trechos lidos pelas duas, dá para perceber que o tom confessional usado por elas chega a ser tocante.

Muito apreciei a ideia do livro ser sobre esses emails trocados.  Nos anos de 1980, construi preciosas amizades através das missivas, e nos últimos anos mantive muitas outras amizades através de emails, sobretudo com minha amiga-irmã Andréa.  Também foi uma troca de emails totalmente platônica com um homem culto e poeta que me ajudou num momento decisivo de minha história pessoal, há cerca de uma década atrás. Se esses emails fossem publicados, retratariam muita poesia, cultura, sensibilidade, lágrimas, resiliência, criatividade literária, humor... Ainda hoje, livros que retratam troca de cartas estão entre os meus preferidos para leitura (o primeiro livro que li com esse enfoque foi "Papai Pernilongo", no alto dos meus doze anos de idade, e agora me deu uma vontade louca de relê-lo). E o filme "Nunca te vi, sempre te amei", que trata justamente de uma amizade alimentada por correspondências, continua com um lugar cativo no meu coração.

Leila referiu ao livro "Que ninguém nos ouça" como uma "ode à amizade". Estive no lançamento acompanhada de duas amigas queridas, e essa fala de Leila me fez focar nas pessoas que ali me acompanhavam e lembrar-me de outras preciosas amizades, e mais uma vez me certifiquei que a troca de palavras com meus amigos, seja na forma oral ou escrita, é essencial para minha sanidade e crescimento pessoal. Que esse post seja, também e então,  um agradecimento a essas amizades.


sábado, 5 de março de 2016

Voltando a Milão

 Minha segunda vez em Milão. Meu filho ainda não a conhecia, então optei por locar um apartamento nessa cidade encantadora. Como já conhecia seus principais pontos turísticos, pude me demorar em passeios mais alternativos, como uma caminhada no parque,  uma visita ao Cemitério Monumental - repleto de lindas esculturas - ou caminhadas a esmo por ruas tranquilas e fora dos circuitos turísticos. Com tempo, pude visitar os Museus (Castelo Sforcesco, Pinacoteca de Brera, GAM) em horários ou dias cuja entradas eram gratuitas. Além disso, pude revisitar alguns clássicos milaneses, como a Galeria Vittorio Emanuele e a Duomo. Com cerca de dois meses de antecedência, pela internet, também agendei minha visita para conhecer o Cenáculo Vinciano, a obra prima de Leonardo da Vinci, que está na parede do refeitório de um convento em Milão. E ainda pude fazer lá uma nova amizade e  provar um espaguete a carbonara incrível que cozinharam especialmente para mim, sem contar as gostosuras que eu mesma cozinhei em Milão. Ter 'tempo' traz esses pequenos grandes luxos.





 Pinacoteca de Brera

 Duomo
Galeria Vittorio Emanuele

 Jardins do GAM

 Castelo Sforcesco



 Bosco Verticale

 Cemitério Monumental
 
 Santa Maria della Grazie (Cenacolo Vinciano)
 Uma feira incrível, que não consta nos guias e descobri na rua paralela ao apartamento onde me hospedei.