sábado, 3 de dezembro de 2016

E meu filhote poético veio ao mundo!

 No dia 25 de novembro último ocorreu o lançamento do meu filhote poético. Feliz por deixar parte dos meus poemas em livro. Se alguém tiver interesse em adquirir um exemplar, favor tratar nos comentários.



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Mais um reconhecimento do meu trabalho literário!

Um texto meu recebeu menção honrosa no Concurso de Narrativas de Morro Reutes, no RS . Fiquei contente com esse apreço ao meu trabalho!!!!Compartilho, então, o texto premiado:


Fabulosa Paixão
Luciane Couto
Assim que desceu da moto e começou a caminhar pela praça, eu sabia que seria ele. A tarde era fria, e eu esperava entediada sob um rasgo de sol que me alcançava. Àquela hora, grande parte dos amigos que iniciaram o dia na praça comigo já tinham ido embora, acompanhados; alguns felizes, outros apenas resignados. Não era a primeira vez que eu ali estava e já estava perdendo as esperanças de que seria a última, até avistar o homem de testa franzida, pronunciada sob as frestas da franja comprida do negro cabelo que quase escondia seu olhar gentil. A barba por fazer revelava um homem pouco vaidoso, no entanto certo de sua beleza máscula, mesmo que os lábios finos remetessem a um quê pueril. As pernas longas, ornadas pelo jeans surrado, o traziam em firmes passadas em minha direção, e daí não relutei em ser clichê: alinhei minha espinha, deixei minhas ancas se pronunciarem num ângulo favorável, conferi discretamente se ainda tinha em mim o aroma cítrico do sabonete do último banho tomado (a contragosto, confesso) e busquei estampar meu olhar de Capitu. E permaneci em espera, repetindo mentalmente meu gasto mantra: “que ele não prefira as clarinhas que aqui estão, que ele não prefira as clarinhas...” (sim, eu não sou portadora de uma autoestima elevada, resultado da constatação diária do olhar do outro sobre mim, onde eu lia que minha negritude não remetia à fortuna. E pelo fato de viver há tempos num lar provisório, cedido a mim e a alguns outros como um favor, desde que deixei a proteção das asas de minha mãe - talvez asas não retratem bem o que eu tinha junto a minha mãe, mas ainda assim a lembrança materna era algo que me remetia à sensação de aconchego, agora tão distante e nebulosa. Além disso, eu também tinha plena consciência que a ampulheta do tempo já levava minhas formas Lolita, o que dificultaria ainda mais o encontro com alguém para eu chamar de meu). Na praça, eu continuava naquela fatigante espera, agora sustentada pela falsa autoconfiança onde me empertiguei, enquanto ele andava e observava todas as outras que também e ainda aguardavam na tarde outonal. De repente, ele parou à minha frente e me encarou, ensaiando um sorriso. Então eu vislumbrei que ele também ali soube, naquele segundo crucial onde nossos olhares se cruzaram, que seria eu. Depois de alguns protocolos cumpridos, me conduziu, decidido e zeloso, e me acomodou da melhor e mais segura forma possível na garupa de sua moto. Eu me sentia inadequada e apreensiva enquanto a moto traçava um caminho que nunca antes percorri, mas pouco depois parou. Chegamos. A casa dele. O mundo dele. Eu entrei ali para ficar. E nascia ali aquela rotina confortável: refeições compartilhadas na noite (o peixe que ele me preparava era meu preferido), minha diária e agitada espera pelo seu retorno do trabalho, quando muitas vezes ele me trazia um mimo (mimos que quase me divertiam quando das horas solitárias no apartamento pequeno)... Logo na primeira semana, ele
ornou meu pescoço com um lindo colar; eu não era especialista em joias, mas aquela gargantilha com meu nome gravado me parecia linda, cara de afeto e deixava explícita que a ele eu pertencia. E declaro, sem pudor, que adorava esse sentimento inédito de pertencimento a alguém, e essa certeza continha em si um bálsamo para todas as privações que eu deixara para trás. Já estamos juntos há alguns anos e ainda não me cansei de me aconchegar toda noite em sua cama e calor, confortando-me no seu cheiro almiscarado, enquanto aguardo um afago antes que ele durma, sereno. Acordo cotidianamente antes dele, e vigio seu despertar, quando então ele me dirigirá aquele afetuoso bom dia, e eu, sempre dissilábica, retrucarei: “miau”...

Lançamento do meu livro!

Convite


Um fim de tarde, café, doçuras e poesia, muita poesia. Quer compartilhar destas venturas comigo? Então convido a você e aos demais apreciadores de literatura a comparecerem ao lançamento do meu livro de poemas: Composição.

Data: 25/11/2016  sexta-feira
Horário: 17 às 20 horas
Local: Cafeteria Will Coffee
            Rua Rio Marabás, 146, Novo Riacho - Contagem
           
Conto com sua presença para acolher esta minha Composição!

                                                                                                Com todo meu apreço,
Luciane Couto


domingo, 20 de novembro de 2016

Uma vista para chamar de minha

Em minha passagem por Gramado, há alguns dias, tive a fortuna de me hospedar num quarto com vista para o Vale do Quilombo. Quase que não saia do quarto, só para ficar admirando a vista. E não é mesmo linda?

domingo, 6 de novembro de 2016

Quarto de Mario Quintana

Voltei a Porto Alegre nessa semana, onde pude assistir a uma palestra sobre a narrativa de terror e suspense, ofertada pela Feira do Livro de Porto Alegre, que nesse ano já está na sua 62° edição. Também pude adentrar (finalmente!) na Casa de Cultura Mário Quintana, e conhecer o quarto do poeta (foto acima), que viveu no local quando ali era o Hotel Majestic. Os detalhes do quarto deixam a impressão que o poeta acabou de deixar o aposento para pescar mais poesias nas ruas de Poa...

Foi uma semana de várias viagens, inclusive com uma nova visita a Confeitaria Colombo, no Rio. Renovei-me e voltei mais fortalecida para lidar com o luto: um tio querido morreu nessa sexta, aos cinquenta e nove anos... São os ônus e bônus de se viver.

domingo, 23 de outubro de 2016

Sob o Sol da Emília Romanha

 Num tarde de inverno, caminhamos sob os pórtico centenários de Bolonha, até chegarmos ao Santuário de San Luca, no monge Guardia, e admirarmos o sol se por em terras bolonhesas.




sábado, 15 de outubro de 2016

Sonhos e concretude

Essa imagem retrata a materialização de um sonho, o que descrevi na ocasião no meu Facebook, conforme transcrito abaixo:

No início do ano passado, voltando de outra viagem, li numa revista da cia aérea em que eu voava uma reportagem sobre Bolonha... Eu já planejava voltar a Itália, mas Bolonha não estava até então nos meus planos. .. Mas eu li aquela reportagem, e vi a foto da biblioteca universitária daqui e foi amor a primeira vista: eu precisava conhecer Bolonha e aquela biblioteca! E aqui estou eu, encantada com essa minha semana em Bolonha! Adoro cidades com jeito de pequenas mas com a vida cultural e gastronômica de cidade grande, e assim é Bolonha! Hoje as ruas no entorno da piazza Maggiore foram fechadas, prática recorrente nos finais de semana daqui, e durante o dia e a noite a população usufrui desses espaços numa vivacidade deliciosa!
E quanto a Biblioteca. .. bem, por duas vezes nessa semana tentei visita-la, mas sem sucesso: estava fechada para visitas. .. Hoje fiz mais uma tentativa. ..e novamente estava fechada... Mas eu expliquei ao senhor da recepção meu amor pelos livros e meu interesse por essa biblioteca em particular. .Ele se compadeceu de mim e me acompanhou até lá.. Foram menos de cinco minutos lá dentro, mas o suficiente para meu deslumbramento e sensação de mais um ciclo concluído. .. E que venham novos desejos por conhecimento!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Um texto, um desabafo

Para sublimar um atentimento muito ruim que recebi, fiz o texto abaixo:


                                                              Diagnosticado                                                                                                                                            Luciane Couto
“O processo de criação narrativa é a transformação do demônio em tema” Vargas Lhosa                                                                                                                             
Você, leitor, certamente já ouviu falar da Síndrome de Stendhal, um distúrbio psicológico desencadeado pela overdose de beleza, sobretudo frente a obras de artes.  O autor francês Stendhal, que empresta seu nome ao distúrbio, foi o primeiro a descrevê-lo, em 1817, ao mencionar no diário de viagem sua experiência ao visitar uma basílica em Florença. Décadas e décadas mais tarde, a psiquiatra italiana Graziella Magherini descreve reações (desmaios, vertigens, alucinações, desequilíbrio afetivo...), semelhantes às descritas por Stendhal, em dezenas de outros turistas que visitavam Florença, e daí configurou-se a tal síndrome. Eu mesma fui acometida por ela: chorei copiosamente por minutos intermináveis ao visitar pela primeira vez a Duomo, em Milão, e não consegui permanecer no interior da Catedral de Notre Dame, em Paris, devido a um sentimento de angústia atroz. Felizmente, meus sintomas não permaneceram nem se ampliaram. Assim eu acho.
Mas esqueça Stendhal, pois quero compartilhar com você a descoberta (minha) de uma nova síndrome!!!  Um artista medíocre acredita piamente que seu trabalho é irrepreensível, e que os demais, pueris reles mortais, devem reverencia-lo e enunciar calorosamente os atributos do seu trabalho. Bastou alguém o ter elogiado no passado para ele se sentir magnânimo, invencível, capaz de justificar sua atrofiada sociabilidade pelo seu talento, que acredita ser singular e elevadíssimo, quando na verdade nada mais é que uma versão pálida de Florence (entenderá minha comparação ao ver o filme “Florence, quem é essa mulher?”, mas a versão hollywoodiana perde para o francês “Marguerite”). Eis a Síndrome de Shakespeare!
E ai do pobre sujeito que questionar o profissionalismo ou evidenciar alguma mácula no desempenho do acometido pela Síndrome de Shakespeare, pois será alvo de toda a agressividade do tal artista, que descerá do Olimpo para empenhar uma energia hercúlea para provar que sua obra é algo como um Porfírio ou Clício, quando na verdade é liliputiana e raquítica. Deus nos proteja dessa síndrome e dos que dela sofrem, pois não parece haver fármaco ou psicoterapia que a aplaque. Talvez só reza brava funcione, muita e ecumênica.
Aprofundarei no estudo nosológico da Síndrome de Shakespeare, que provavelmente será incluída no Novo Código Internacional de Doenças. Inclusive já consigo antever, desde já, plateias lotadas me ouvindo explanar sobre a nova doença, e no fim dessas explanações, eu sendo aplaudida de pé, ovacionada, laureada...
Esqueci-me de mencionar: a Síndrome de Shakespeare é altamente contagiosa. Mas para provar que estou ainda em posse de minha sanidade, ressalto que na verdade devo compartilhar o mérito pela descoberta e descrição da nova síndrome com uma grande profissional e amiga:
- Cristina, o Prêmio Nobel será logo nosso!
E não poderemos deixar de agradecer e dedicar nosso futuro prêmio ao Dudu, pois graças a ele identificamos e comprovamos a Síndrome de Shakespeare.  Viu, Dudu, sua fama finalmente se perpetuará!

“Resta saber de onde vem essa necessidade absoluta que transforma todos os escritores em eternos indigentes do olhar alheio” Rosa Montero

sábado, 24 de setembro de 2016

Uma livraria em Veneza

 
 Livrarias não podem faltar em meus roteiros de viagens, ainda mais sendo tão pitoresca quanto esta:livros em banheiras, gôndolas e barcos, uma escada de livros que revela uma bela vista de um canal. .. Esta é a Libreria Acqua Alta, em Veneza. Um lugar para se demorar e brincar de explorador dentre os milhares de livros espalhados.





sábado, 17 de setembro de 2016

Veneza mais uma vez

 Na primeira vez, fui sozinha. Na última, com meu filho. Veneza é uma cidade única, mágica,  admirável, surpreendente. Sem cheiro ruim (nunca senti, mas fui no outono e no inverno, será por isso?), com charme de sobra, com ruelas onde se perder é o que se busca. Nesse ano, tive a chance de pegar a abertura do carnaval na cidade, que acontece cerca de uma semana antes do feriado de carnaval no Brasil. Então, por vezes parecia mesmo que viajei no tempo, quando cruzava com homens mascarados em suas capas e mulheres com seus vestidos rendados e rodados... A praça São Marcos sempre se está cheia, mas caminhando encontrei verdadeiros oásis de solidão, o que tanto aprecio.